
Psicólogo e Prof.Me. Antonio José de Oliveira Freitas Neto fala sobre saúde mental
Desde o início da pandemia da COVID-19 e no contexto pós-pandêmico, observamos uma ampliação do debate público sobre Saúde Mental, com ações articuladas por instituições governamentais, pela Organização Mundial da Saúde e por diversos segmentos da sociedade civil. Houve um enfraquecimento parcial do estigma relacionado ao sofrimento psíquico, o que contribuiu para o aumento da busca por atendimento psicológico e psiquiátrico. Ainda assim, persiste a necessidade de consolidar na cultura social o entendimento técnico-científico sobre a importância da Psicologia como ciência e profissão no cuidado com a saúde mental.
A Psiquiatria, como especialidade médica voltada ao diagnóstico e manejo farmacológico dos transtornos mentais, tornou-se altamente requisitada nesse período. Os psiquiatras, por meio de critérios diagnósticos baseados no DSM-5 ou na CID-11, podem prescrever psicofármacos específicos que atuam na neuroquímica cerebral, modulando sintomas como ansiedade generalizada, humor deprimido, insônia, impulsividade, ideação suicida, entre outros. Contudo, mesmo os próprios psiquiatras reconhecem que a atuação medicamentosa, embora necessária em muitos quadros, especialmente nos transtornos mentais severos e persistentes, é insuficiente por si só para promover mudanças estruturais na personalidade ou na dinâmica psíquica do sujeito.
É nesse ponto que a Psicologia se torna imprescindível. A psicoterapia, enquanto processo clínico-científico fundamentado em teorias do comportamento, da cognição, da afetividade e da subjetividade, oferece um espaço de escuta qualificada e intervenção técnica, com base em métodos como a análise funcional do comportamento, a reestruturação cognitiva, a interpretação psicanalítica, a psicoeducação, entre outras estratégias. O vínculo terapêutico e o setting clínico permitem ao paciente elaborar conflitos internos, ressignificar experiências traumáticas, identificar padrões de funcionamento disfuncionais e desenvolver recursos de autorregulação emocional e enfrentamento.
A intervenção psicológica não se restringe ao tratamento de psicopatologias graves. Ela é também profilática, atuando na prevenção primária e secundária do adoecimento mental. Quadros de sofrimento psíquico leve e moderado, como estresse crônico, luto não elaborado, conflitos relacionais, transtornos de ajustamento, crises existenciais ou dificuldades de identidade, podem evoluir para patologias mais graves se não forem acolhidos e elaborados clinicamente.
Portanto, a Psicologia deve ser compreendida como uma prática clínica de cuidado contínuo e integral, que promove a saúde mental não apenas como ausência de doença, mas como bem-estar biopsicossocial. Cuidar da mente é um ato de autoconhecimento, de responsabilidade consigo mesmo e de prevenção de agravos futuros.
Psicologia é ciência, é cuidado e é prevenção. Faça terapia!
Artigo do Prof.Me. Antonio José de Oliveira Freitas Neto (Psicólogo)
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