
Casa de Graça Aranha abrigará Centro de Interpretação do Patrimônio Mundial de São Luís
Iniciativa é fruto de uma parceria entre o Sebrae-MA, proprietário do espaço, a Fundação Municipal de Patrimônio Histórico (FUMPH), e a Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM).
Um casarão que já faz parte da memória de São Luís se prepara para ganhar uma nova missão: ajudar moradores e visitantes a compreender melhor a história, a arquitetura, a cultura e a identidade de uma cidade reconhecida mundialmente por seu patrimônio. É nesse imóvel, que foi residência do escritor maranhense Graça Aranha, que começa a tomar forma o futuro Centro de Interpretação do Patrimônio Mundial de São Luís.
Nesta terça-feira (29), mais uma etapa do plano foi concluída com a apresentação dos projetos do futuro equipamento, que ocupará o imóvel localizado na Avenida Dom Pedro II, nº 241, no Centro Histórico. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Prefeitura de São Luís, por meio da Fundação Municipal de Patrimônio Histórico (FUMPH), o Sebrae-MA, proprietário do espaço, e a Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM), responsável por contratar os projetos.
Durante a solenidade, a arquiteta, urbanista e consultora em Patrimônio e Políticas Culturais do Instituto Pedra, Jurema Machado, detalhou os projetos Executivo e Interpretativo do Centro, que contemplam o uso dos espaços internos e suas funcionalidades, incluindo auditórios, instalações, Mirante, ambientes de exposição artística e vivências imersivas. A proposta busca integrar os visitantes à história da edificação e ao acervo patrimonial.
“São Luís é uma cidade viva. É uma cidade construída por encontro de povos, culturas e tradições. Esse é um projeto que considero estratégico para o Maranhão e para a política brasileira de valorização do patrimônio mundial. Estamos falando de uma cidade que recebeu da Unesco o reconhecimento internacional do seu Centro Histórico como patrimônio mundial”, afirmou Mário Augusto Ribas, presidente da OCBPM.
Experiências x preservação
Reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial em 1997, o Centro Histórico de São Luís reúne um conjunto arquitetônico, histórico e paisagístico que guarda parte importante da história da capital. Mas, para quem chega ou mesmo para quem vive diariamente nesse território, compreender o significado desse patrimônio exige mais do que observar fachadas, azulejos e casarões.
A proposta do Centro parte de uma ideia simples: para preservar o acervo patrimonial, é preciso também fazer com que as pessoas que vivem em São Luís conheçam, compreendam seu significado e reconheçam sua importância para a cidade e seus habitantes.
“Esse serviço terá um papel fundamental para quem chega ao Centro Histórico, permitindo que as pessoas obtenham informações e possam contemplar todo esse espaço tombado como Patrimônio Mundial”, disse Rodrigo Soares, presidente do Sebrae Nacional. “O projeto traz para São Luís uma oportunidade de cada vez mais dar voz à nossa cultura, à nossa história e dar autoestima para o nosso povo”, completa o diretor superintendente do Sebrae Maranhão, Albertino Leal.
Na perspectiva do turismo, o espaço deve fortalecer a conexão entre patrimônio, cultura, identidade e economia local. O projeto prevê, entre outros ambientes, área de acolhimento com exposição, café, loja, pátio externo e espaço para oficinas.
O futuro imóvel vai funcionar como um ponto de acolhimento para quem deseja conhecer o Centro Histórico, com exposições, atividades educativas e recursos de comunicação que deverão trazer referências culturais sobre o sítio reconhecido pela Unesco, além de estimular experiências e vivências especiais para moradores, estudantes e turistas, estimulando todos para a continuidade dessa experiência por outros pontos da cidade.
“Quanto mais estudamos e valorizamos o nosso patrimônio, mais percebemos a sua grandeza. Quando visitamos outros centros históricos pelo país, aprendemos a amar ainda mais o nosso. Passamos a compreender que temos aqui elementos únicos, extremamente específicos e peculiares do período em que este espaço foi pensado e construído”, disse a prefeita de São Luís, Esmênia Miranda.
Um imóvel que também conta uma história – O sobrado foi residência de Graça Aranha entre 1870 e 1884, período em que o escritor viveu parte de sua infância e adolescência. Nascido em São Luís, Graça Aranha foi escritor, diplomata e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. É também autor de obras como Canaã e participou da organização da Semana de Arte Moderna de 1922.
Ao longo de sua trajetória mais recente, o imóvel foi sede do Sebrae e, em 2023, passou a abrigar a Galeria Trapiche, que instalou no casarão uma sala dedicada à vida e à obra do escritor. Agora, o edifício ganha nova perspectiva de uso, ajudando o público a conhecer justamente o patrimônio do qual a própria edificação faz parte.
Para o Sebrae, a iniciativa também representa uma oportunidade de contribuir para que o patrimônio cultural seja integrado à dinâmica econômica e turística da cidade, criando novas possibilidades de conexão para os empreendedores locais.
“O patrimônio cultural não é apenas memória guardada em fachadas e azulejos. Ele é experiência viva, é identidade e é uma alavanca poderosa para a economia local. Ao transformar este espaço num ponto de acolhimento, educação e interpretação para moradores e turistas, estamos criando oportunidades reais para os pequenos negócios”, destaca o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Maranhão, Celso Gonçalo.
Patrimônio como experiência coletiva – A iniciativa também reforça a importância de dar novos usos a imóveis históricos, mantendo-os integrados à vida da cidade. No caso do casarão que um dia foi a casa de Graça Aranha, a nova função mantém viva a relação do prédio com a memória de São Luís e amplia seu papel como espaço de cultura, conhecimento e acolhimento.
“Entregar esse projeto tão bem elaborado é um marco. O Centro de Interpretação oferecerá aos turistas uma experiência imersiva para que compreendam os critérios que tornaram São Luís um Patrimônio Mundial, garantindo uma visita muito mais qualificada. Trata-se de um ganho imensurável para a nossa cidade”, afirma Kátia Bogéa, presidente da FUMPH.
A proposta é de que o futuro equipamento seja também um ponto de partida para descobrir, compreender e vivenciar o patrimônio mundial da capital maranhense.



