
O melancólico fim do governo Carlos Brandão e os desafios do sucessor
Carlos Brandão chega à reta final de seu governo com promessas pendentes, uma aliança desfeita e a derrota do projeto de eleger o sobrinho, Orleans Brandão, como sucessor. O resultado expõe o desgaste de uma estratégia que colocou a continuidade familiar no centro da disputa pelo poder.
Na administração, há compromissos que precisam ser cobrados. Um levantamento divulgado em julho, com dados até junho de 2026, apontava que, das 68 promessas de campanha, 43 haviam sido cumpridas, 13 estavam parcialmente realizadas e 12 permaneciam sem execução. Reconhecer as entregas não elimina a responsabilidade pelas pendências.
Entre as propostas não concretizadas naquele balanço estavam a instalação de energia solar em prédios públicos, usinas comunitárias de energia solar e eólica em comunidades tradicionais, clínicas veterinárias populares fixas, um centro de comercialização de hortifrútis para assentamentos e o conjunto habitacional destinado a servidores públicos. São compromissos que exigem explicação à população.
No campo político, o rompimento do compromisso de sucessão envolvendo Felipe Camarão aprofundou a divisão com os antigos aliados de Flávio Dino. Brandão negou a existência de um acordo, mas vieram a público vídeos em que anunciava um governador do PT em 2026. A escolha de Orleans alimentou a interpretação de traição política à aliança que o sustentou.
A aposta terminou em derrota: Orleans recebeu 34,76% dos votos válidos, enquanto Eduardo Braide venceu no primeiro turno. A estrutura governista não conseguiu assegurar a sucessão desejada. Politicamente, o resultado permite uma avaliação dura: a prioridade dada ao projeto familiar contribuiu para fragmentar a base e enfraquecer o governo.
Para o novo governador, entretanto, a vitória abre uma etapa de responsabilidades ainda maiores. A primeira tarefa será apresentar um diagnóstico transparente das finanças estaduais: caixa disponível, dívidas, contratos, despesas comprometidas e condições para novos investimentos. Qualquer dificuldade herdada deverá ser demonstrada com documentos.
Também será necessário construir apoio na Assembleia Legislativa e estabelecer uma relação produtiva com os prefeitos. O desafio será formar uma maioria capaz de sustentar decisões sem perder a autonomia nem os compromissos assumidos com os eleitores.
Na gestão, a transição precisará preservar o funcionamento de hospitais, escolas e serviços de segurança. Obras inacabadas e propostas pendentes deverão passar por avaliação, com prioridades, prazos e recursos definidos. O interior precisará ocupar lugar central nesse planejamento, para que a mudança alcance todo o Maranhão.
O novo governador terá, ainda, de administrar a expectativa de quem votou por uma transformação. Isso exigirá medidas concretas, metas realistas e prestação de contas. Problemas antigos não desaparecem com a troca de comando, mas também não podem servir de justificativa permanente.
Brandão encerra seu ciclo sob a cobrança pelas promessas pendentes e pelas consequências de suas escolhas políticas. Seu sucessor começará sob outra cobrança: demonstrar que a vitória nas urnas pode se transformar em serviços melhores e oportunidades para a população. O Maranhão precisa de um governo que entregue resultados.



