A Indústria transforma o Maranhão – por Edilson Baldez das Neves 

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No mês de celebração da Indústria, a Fiema tem muito a comemorar. São avanços e conquistas memoráveis que colocam a classe produtora maranhense em destaque. O Maranhão apresenta um panorama industrial diversificado com setores que abrangem desde a produção de insumos até a fabricação de bens de consumo. Esse quadro vem ganhando relevância e amplia a economia local.

Como importante protagonista na discussão de temas relacionados ao crescimento industrial e ao desenvolvimento do estado, a Federação acompanha com habilidade a defesa de projetos estruturantes para aumentar a geração de emprego e renda e melhorar os nossos indicadores sociais.

Apoiamos integralmente a exploração da Margem Equatorial Brasileira, a recente fronteira petrolífera do país, o novo pré-sal brasileiro. Os estudos apontam que a exploração de petróleo na região pode adicionar R$ 65 bilhões ao PIB, gerar 326 mil empregos e contribuir para a elevação do PIB estadual.

Há de se destacar a implantação da robusta agroindústria que se expande no cenário local com a aprovação de legislação beneficiando o polo sucroalcooleiro, permitindo a indústria a venda do etanol diretamente ao posto de combustível. A industrialização de carnes, do milho e da soja e o beneficiamento de arroz, gerando riquezas para nosso estado. E a implantação da ZPE com a atração de investimentos nacionais e internacionais promovendo progresso para o Maranhão, um antigo sonho concretizado recentemente.

Temos grande acervo econômico incluindo superávit energético, polo gesseiro, grande parque cimenteiro e diversificada indústria de alimentos. Somos grandes fabricantes de celulose e papel, possuímos considerável indústria de bebidas, importantes produtores de alumina e alumínio e uma expressiva indústria da construção civil.

A forte atuação da construção civil tem ajudado na formação de cenário positivo com crescimento neste ano, sinalizando uma retomada gradual do mercado construtivo, revelando melhorias para o setor. O nível de atividade registrou um crescimento de 2,2 pontos em relação ao ano anterior, sinalizando uma retomada gradual após flutuação dos últimos anos.

Entretanto, fatos inesperados abalaram o cenário econômico nacional, com a elevação da taxa Selic, aumentando os juros para 14,75% ao ano, enervando o mercado e impondo fardo pesado à economia. Essa ocorrência compromete, a curto prazo, o fôlego financeiro das empresas e gera insegurança jurídica promovendo contradições que desestimulam investimentos e prejudicam o ambiente de negócios, tornando mais difícil produzir e competir no mercado, impondo grande barreira para o crescimento, minando a expansão da base industrial e afetando o planejamento e a tomada de decisões.

Novo efeito acelerador das dificuldades foi a nova alíquota do IOF, refletindo no aumento do crédito, do câmbio – encarecendo a importação de insumos – e dos seguros, criando significativa arrecadação extra para o governo, estimada pela CNI, em R$ 19,5 bilhões somente neste ano. Para 2026, a conta sobe para R$ 39 bilhões, contribuindo para a desaceleração da economia. Do ponto de vista fiscal, o episódio reforça o diagnóstico de que essa não é a melhor maneira de controlar o desequilíbrio orçamentário.

Outro fato impactante que tramita no Congresso Nacional é a redução da jornada de trabalho. Segundo estudos da CNI haverá aumento significativo de custos para as empresas, diretamente relacionado à queda na produtividade e na competividade. A redução da jornada acarretaria aumento de 20,7% nos gastos formais de toda a economia brasileira e somente no setor industrial de R$ 178,8 bilhões, uma conta impagável, chegando a provocar até mesmo o fechamento de empresas. O que fomenta a criação de emprego é o crescimento da economia. Se temos pleno emprego no país, será que é hora de discutir escala seis por um?

O país precisa de um ambiente econômico estável e de políticas públicas que garantam previsibilidade e segurança jurídica para a continuidade dos investimentos e para a manutenção e expansão do setor industrial.

Como também precisamos acelerar a construção de um novo futuro industrial para o Maranhão, celebrando o progresso e beneficiando a sociedade com maiores oportunidades e transformação social. Porque a indústria cria e é muito mais, no dia a dia das pessoas. Ela gera emprego, renda, impulsiona a inovação e transforma vidas.

Artigo de Edilson Baldez das Neves – Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) e Segundo Diretor Secretário da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para coluna Opinião do Jornal O Imparcial