Braide assume o comando do PSD e ganha suporte para entrar na corrida aos Leões

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O prefeito Eduardo Braide deu o passo que precisava para, se quiser – e tudo indica que quer -, lançar-se candidato ao Governo do Estado no ano que vem. Ele ganhou o comando do PSD no Maranhão, num grande acordo com a senadora Eliziane Gama, costurado pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e que lhe garantiu uma das vice-presidências nacionais da legenda. Com o acerto, o braço maranhense do PSD sai das mãos do ex-deputado federal Edilázio Jr., que parece definitivamente fora da política, e passa a ser inteiramente controlado pelo prefeito de São Luís. O acordo foi articulado amigavelmente, com a concordância plena da senadora Eliziane Gama, que saiu prestigiada, e a julgar pela importância que recebeu do presidente Gilberto Kassab, o PSD pode se tornar um partido forte no Maranhão.

Atualmente, o braço maranhense do PSD é formado por alguns pontos dispersos. Tem um único prefeito no estado, exatamente Eduardo Braide, que comanda o maior e mais importante colégio eleitoral do Maranhão; um senador (Eliziane Gama), um deputado federal (Josivaldo JP) e três deputados estaduais (Fernando Braide, Eric Costa e Mical Damasceno) e algumas dezenas de vereadores espalhados pelo Maranhão. Essas forças não são articuladas e não formam um bloco partidário. É o resultado da falta de um comando bem definido, situação que agora muda radicalmente com a ascensão do prefeito de São Luís ao seu comando estadual.

Eduardo Braide assume o controle do PSD numa situação especial. Ele tem a oportunidade de formar um partido perfeitamente identificado com a sua visão política e as suas convicções ideológicas, que são muito próximas das pregadas pelo PSD desde as suas origens. Trata-se de uma agremiação de centro-direita, de linha liberal e democrática, bem distante dos segmentos conservadores identificados com a extrema-direita. Os quadros que o formam hoje são perfeitamente identificados com a base ideológica do partido. A única exceção é a deputada Mical Damasceno, que é assumidamente de extrema-direita, alinhada aos extratos mais radicais do bolsonarismo evangélico.

No comando estadual do PSD, o prefeito Eduardo Braide poderá montar a sua plataforma político-partidária, com chapas para Governo, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa no ano que vem, ele próprio embalado pelas primeiras pesquisas, que o apontam como favorito entre os nomes com potencial para entrar na disputa. Eduardo Braide até agora não deu nenhuma declaração nesse sentido, porém, tanto no meio político como fora dele, já corre a certeza de que ele deixará a Prefeitura em abril do ano que vem. Essa certeza se amplia no momento em que ele assume o comando estadual de um partido que pode se tornar competitivo, como é o caso do PSD. Seus movimentos como comandante da agremiação revelarão em pouco tempo o objetivo do prefeito reeleito de São Luís em relação às eleições do ano que vem.

Por sua vez, a senadora Eliziane Gama, cujo mandato é muito bem avaliado, ganhou peso como vice-presidente nacional do PSD, mas, ao mesmo tempo, passou a viver um dilema: buscará a reeleição como candidata ao Senado numa provável chapa liderada por Eduardo Braide, ou deixará o partido para ser candidata na aliança governista, na qual já se movimentam o governador Carlos Brandão (PSB), o senador Weverton Rocha (PDT), que também busca a reeleição, e ainda o deputado federal e atual ministro do Esporte André Fufuca? Não será uma escolha fácil, mas esses são os cenários que estão se formando à sua frente.

Político hábil e de faro apurado, o presidente Gilberto Kassab, que se movimenta com um pé no Governo Lula da Silva (PT) e outro na seara bolsonarista, não entregou o PSD a Eduardo Braide por não ter outro caminho. Ao contrário, ele tem a exata noção do tamanho e do potencial político do prefeito de São Luís, que já é uma das grandes apostas do seu partido para a corrida eleitoral do ano que vem.

Com informações do Repórter Tempo 

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