Denunciado, Juscelino Filho perde ministério, pode virar réu e torna incerto o seu futuro político

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A queda do deputado federal Juscelino Filho (União) do comando do Ministério das Comunicações estava escrita nas estrelas e só dependia da manifestação da Procuradoria Geral da República, que acatou o resultado das investigações da Polícia Federal sobre supostos desvios de recursos de emendas parlamentares por ele destinadas à Prefeitura de Vitorino Freira, na época comandada por sua irmã, Luanna Bringel (Bringel), e o denunciou ao Supremo Tribunal Federal. Diante da denúncia da PGR, que pede para ele ser transformado em réu e seja julgado pelos supostos crimes, Juscelino Filho perdeu de vez a complacência do presidente Lula da Silva (PT), o apoio da cúpula e da bancada do seu partido e de aliados, não lhe restando outro caminho que não o pedido de demissão, recomendado e previamente aceito pelo presidente da República.

A demissão de Juscelino Filho resolve alguns problemas para o Palácio do Planalto, sendo o principal deles o destravamento da reforma ministerial, uma vez que é ele o alvo da primeira mudança, com a quase certa nomeação do seu colega de bancada e de partido, deputado federal Pedro Lucas Fernandes, atual líder da bancada do União. Ao mesmo tempo, a saída do parlamentar poderá se refletir no cenário político maranhense, onde ele é parte de uma geração que está chegando ao poder e vinha sendo apontado como dono de potencial político e eleitoral para chegar ao topo, juntamente com o atual ministro do Esporte, André Fufuca (PP), que caminha para disputar uma cadeira no Senado.

A denúncia da PGR abala fortemente a sua credibilidade e a sua base de apoio, o que coloca em risco o cacife político e eleitoral que acumulou nos três mandatos federais. Mas isso não significa o fim da sua carreira, porque se trata de uma denúncia, que ele garante ser injusta e promete demonstrar isso ao se defender no processo, caso o Supremo o transforme em réu. Se vier a ser condenado, poderá ser punido também com a inelegibilidade, o que será um desastre. Mas se vier a ser absolvido, poderá levar sua carreira adiante, ainda que fragilizado pelos meses e até anos como acusado brigando para ser inocentado.

A trajetória política de Juscelino Filho, 40 anos, lhe abre uma brecha para continuar no cenário. Médico por formação, nasceu de uma família política de Vitorino Freire, elegendo-se deputado federal em 2014 e se reelegendo em 18 e 22. Chegou ao Ministério das Comunicações em 2023 sem apadrinhamento e por indicação da bancada federal do seu partido, onde ganhou espaço desde que tirou o DEM da família Fecury em 2014 e transformou o braço maranhense numa força partidária ativa, consolidando seu espaço quando houve a fusão com o PSL, em 2021, da qual nasceu o União Brasil, no qual se consolidou como uma das lideranças mais importantes.

No cenário político estadual, o deputado federal Juscelino Filho vem mantendo uma trajetória de independência em relação ao Governo estadual embora mantenha relações institucionais com o governador Carlos Brandão (PSB), tendo apoiado a candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) aos Leões em 2022. De uns tempos para cá, se posicionou várias vezes em relação ao cenário sucessório, defendendo a eleição do governador para o Senado e a do vice-governador para o Palácio dos Leões. Agora, terá de concentrar suas forças na defesa que fará perante a Suprema Corte com o objetivo de evitar a pancada ética e a degola política.

Juscelino Filho perde o comando do Ministério das Comunicações no momento em que vinha implantando vários projetos de conectividade via internet no Maranhão, beneficiando principalmente escolas e empresas, assim como a expansão da rede de rádios comunitárias nas mais diferentes regiões do estado, para citar apenas dois campos de atuação da pasta sob seu comando em território maranhense. Esses projetos podem ter prosseguimento se o deputado federal e atual líder da bancada do União Pedro Lucas Fernandes vier a assumir o comando da pasta, o que é tido como certo em quase todas as previsões.

Com informações do Repórter Tempo