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Empreendedora maranhense é finalista nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios
Produtora rural de São Luís é representante do Maranhão na fase nacional da premiação, que reconhece trajetórias de mulheres à frente de negócios em todo o país.
Uma história de transformação nascida na zona rural de São Luís (MA) alcança o topo do empreendedorismo feminino no país. A agricultora Claudete Pereira de Oliveira garantiu vaga na final nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios (PSMN) 2026, na categoria Produtora Rural e Artesã. Moradora da comunidade do Cajupary, ela leva para a disputa a história construída no Sítio Aconchego da Gorda, onde desenvolve iniciativas que unem agricultura familiar, sustentabilidade, turismo e geração de oportunidades para outras mulheres da comunidade.
A etapa nacional será realizada no dia 17 de novembro, em Vitória (ES), reunindo as empreendedoras selecionadas em todo o país. A chegada da produtora à fase final simboliza o fortalecimento do empreendedorismo feminino no estado. Com 650 inscritas no PSMN, um crescimento de 48% em relação à edição anterior, o Maranhão liderou o número de candidaturas no Nordeste e ocupou a terceira posição no ranking nacional da premiação.
Um sítio que virou projeto de vida
Há 16 anos, Claudete Pereira, conhecida na comunidade como Gorda, chegou ao Cajupary. Desde o início, trazia um sonho que ia além de trabalhar a própria terra. “Quando eu cheguei aqui, eu já cheguei com esse sonho de trabalhar não só a minha terra, mas de fazer com que outras pessoas que tivessem uma área como a minha e que gostassem de trabalhar com a terra pudessem se unir e fazer um trabalho junto”, conta.
O projeto foi crescendo aos poucos e hoje reúne agricultura familiar, produção de ovos, cultivo de plantas medicinais, sustentabilidade e turismo. Para Claudete, a transformação não aconteceu de uma hora para outra.
“No início eu pensei que ia ser fácil, que seria igual a gente sonha: em pouco tempo, tudo realizado. Mas demorou para sair do papel. Agora que está acontecendo, às vezes eu fico pensando: meu Deus, será que é verdade mesmo tudo isso? Porque não é nada fácil”, relata.
Entre as iniciativas, destaca-se a integração do sítio à Rota do Cuxá com Jussara, uma proposta de turismo comunitário em que cada propriedade parceira assume uma identidade própria para garantir uma experiência diversificada aos visitantes.
“Cada sítio tem uma especialidade. Um trabalha com farinha, outro com peixe, outro com uma atividade diferente. Quando o turismo vier, eu não quero que ele vá a um sítio e encontre a mesma coisa no outro. Cada um precisa ter o seu nicho”, explica.
A estratégia também amplia a participação das famílias da comunidade no turismo. A atividade começou a ganhar novos visitantes por meio da aproximação com pessoas que atuam no setor e avançou para o turismo pedagógico, com visitas de estudantes em parceria com a Universidade Estadual do Maranhão (Uema), além da participação na Rota do Turismo 50+.
Para a empreendedora, o turismo é mais uma forma de mostrar o que existe na comunidade e de transformar conhecimentos e atividades locais em oportunidades. “Eles demoraram a vir, mas isso não impediu que a gente começasse. A gente foi conhecendo pessoas, que foram conhecendo outras pessoas, e assim começaram a trazer o turismo para a nossa comunidade”, conta.
Produção que gera oportunidades
O trabalho de Claudete ultrapassa os limites da própria propriedade. Os projetos desenvolvidos no sítio também abrangem outras mulheres e famílias da comunidade, criando oportunidades de produção, aprendizado e geração de renda. Ao todo, 20 mulheres participam das iniciativas, distribuídas de acordo com seus interesses e habilidades.
Para a empreendedora, essa identificação é fundamental para que os projetos tenham continuidade e resultados. “Não adianta você não ter afinidade com aquela coisa e querer aderir ao projeto. Só dá resultado quando você gosta de fazer aquilo”, afirma.
A sustentabilidade guia a rotina do sítio, que combina energia solar, cultivo consorciado e o aproveitamento inteligente da terra ao longo das estações. Para ir ainda além, a propriedade está estruturando o beneficiamento de ovos e o processamento de plantas medicinais, contando com equipamentos como desidratador, destilador de óleos essenciais, triturador e materiais para embalagem.
O objetivo é transformar o próprio espaço em um ambiente de aprendizado e troca de experiências. “A gente quer que as pessoas possam vir aqui, conhecer e acompanhar como tudo é feito, desde a produção até a transformação dos produtos. É uma forma de mostrar o nosso trabalho e também ensinar”, conta.
Um reconhecimento que representa outras mulheres
Para Claudete, chegar à etapa nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios representa o reconhecimento de uma caminhada marcada pela persistência. Ela conta que os projetos demoraram a sair do papel, mas nunca deixou de acreditar na possibilidade de realizá-los.
“Meu sonho é ver não só a minha comunidade, mas todas as comunidades que têm mulheres empreendedoras como eu, que por um momento deixaram de acreditar nos seus sonhos. A minha própria participação no processo de seleção já é uma oportunidade para que as empreendedoras revisitem suas trajetórias e compartilhem suas histórias. Isso é muito importante pra mim”, reflete.
Para Reijane Almeida, gestora estadual de Empreendedorismo Feminino do Sebrae Maranhão, a presença de duas empreendedoras maranhenses na etapa nacional evidencia a diversidade e a força das trajetórias femininas no estado. Segundo ela, o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios amplia a visibilidade dessas histórias e reconhece iniciativas que geram impactos que vão além dos próprios negócios.
“Para o Sebrae, reconhecer essas mulheres é dar visibilidade à força e à diversidade do empreendedorismo feminino no Maranhão. O prêmio valoriza trajetórias, inspira outras mulheres e mostra que, quando encontram apoio, orientação e oportunidades, elas conseguem transformar sonhos em negócios e também contribuir para o desenvolvimento de suas comunidades. Ter duas empreendedoras maranhenses na etapa nacional é motivo de orgulho e reforça a importância de continuarmos criando caminhos para que mais mulheres possam empreender e realizar seus projetos”, destaca.
Sobre o Prêmio.
Criado pelo Sebrae, o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios reconhece histórias de mulheres que lideram empreendimentos em diferentes áreas. A edição 2026 contempla cinco categorias: Microempreendedora Individual (MEI), Pequenos Negócios, Produtora Rural e Artesã, Ciência e Tecnologia e Negócios Internacionais. A seleção passa pelas etapas estadual, regional e nacional.
Na etapa nacional, as vencedoras concorrem a premiações que podem chegar a R$ 50 mil, além de oportunidades como capacitação no Empretec, missão técnica e mentoria, de acordo com a classificação. A cerimônia nacional está prevista para 17 de novembro, no Espírito Santo, durante o EmpoderaDONAS.



