
Inteligência artificial, metas e uso PJe marcam formação do “Rota da Justiça” em São Luís Gonzaga
Evento que já passou por Bacabal e Coroatá segue nesta quinta (22/10) em São Mateus do Maranhão
Transformar dados em estratégias de gestão e dominar ferramentas de inteligência artificial para dar mais celeridade aos processos judiciais. Esse foi o contexto das capacitações técnicas promovidas pelo Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) em São Luís Gonzaga do Maranhão, durante a etapa local do programa Rota da Justiça, realizada nesta quarta-feira (21/10), no Fórum local. Servidores/as e magistrados/as da comarca participaram de imersões práticas voltadas ao uso avançado do PJe, análise de painéis gerenciais e acompanhamento dos indicadores e metas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O terceiro dia da 1ª edição do programa “Rota da Justiça” contou ainda com apresentação e detalhamento sobre o Planejamento Estratégico do Poder Judiciário voltados ao Prêmio CNJ de Qualidade, além de técnicas de gestão de secretarias para melhorar o fluxo processual e reunião com o Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil e Delegacia de Polícia Civil para dialogar sobre as demandas em comum.
Coordenado pela Coordenadoria de Acompanhamento e Controle da Estratégia (Coace/TJMA), presidida pela desembargadoraSônia Amaral, a iniciativa busca aproximar a alta administração das unidades do interior e dos demais órgãos do sistema de Justiça, objetivando levar soluções para demandas de forma planejada, ouvindo os atores e capacitando de forma contínua o público interno.
Em sua fala, a desembargadora (foto abaixo) destacou o papel da tecnologia e força de trabalho de magistrados/as e servidores/as para o alcance dos resultados – como o Selo Diamante em 2025, e o processo contínuo e dinâmico do planejamento estratégico no Poder Judiciário, sujeito a revisões periódicas para se adequar à realidade do Estado e garantir a melhoria contínua da prestação jurisdicional. A fala abordou a importância da capacitação em rotinas de secretaria – como a correta movimentação de processos e o acompanhamento de tabelas e metas – para evitar atrasos e otimizar a gestão do acervo.
Não é à toa que já somos Selo Diamante, mas isso é graças a vocês, porque o Tribunal tem que ter uma estrutura profissional e de gestão, mas a conquista do Selo se dá em função da força de trabalho, a partir de servidores e magistrados, que são importantes na entrega dos resultados que a Constituição determina”, apontou.

Dá muito orgulho de ver como nós evoluímos e, é claro, como ainda precisamos e vamos crescer mais, ter uma entrega não só pautada na quantidade, que é importante uma resposta rápida, mas cada vez mais pautada também na qualidade do serviço para aquele que é o nosso patrão, que é o cidadão”, avaliou a juíza auxiliar da Presidência, Teresa Mendes, que reforçou o apoio do presidente do TJMA, desembargador Ricardo Duailibe, à iniciativa de interiorização.
METAS E RESULTADOS
Durante a ação, servidores/as e magistrado de São Luís Gonzaga participaram dos cursos “Letramento em inteligência artificial” e “Uso Avançado do PJe” ministrados pelo chefe da Divisão de Regras de Negócio da Coordenadoria do PJe, Ricardo Dias, que demonstrou na prática o uso de ferramentas de inteligência artificial como auxílio na rotina judiciária, e apresentou extensões e ferramentas presentes no sistema PJe para melhoria da rotina na gestão dos processos eletrônicos.

As formações trataram desde o contexto inicial das ferramentas de IA e como devem ser utilizadas para evitar erros e “alucinações”, as diferentes ferramentas de IA, a regulamentação de uso (Res. n. 615/2025 do CNJ), prompts e técnicas de utilização.
No PJe, o curso demonstrou o uso da ferramenta APOIA no marketplace da Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ), o detalhamento de tarefas processuais no PJe, etiquetagem, agrupamento, aplicação de modelos a lotes de processos, canais para contagem de prazos e o lançamento correto de dados que viram estatísticas e metas, contribuindo para o alcance do Selo Diamante no Prêmio CNJ de Qualidade.
Já a formação “Gestão da Unidade Judicial: Rotinas, Fluxos e Metas”, ministrada pela servidora Vitória Bezerra tratou sobre boas práticas, otimização do cumprimento de atos nas secretarias e gestão estratégica do acervo processual. “Da mesma forma temos um planejamento estratégico macro para o Tribunal, podemos pensar no planejamento estratégico micro em cada unidade, e assim a gente consegue entregar uma prestação jurisdicional de maior qualidade e eficiência e com menos esforço”, observou.

O detalhamento do atual e do novo ciclo do Planejamento Estratégico do TJMA, direcionado principalmente aos indicadores e metas do Prêmio CNJ de Qualidade foi o tema da palestra “A Estratégia e o Prêmio CNJ de Qualidade”, apresentada pela assessora Bianca Soares e pela chefe de divisão Mariana Carneiro, da Coace/TJMA, definindo as pontuações e critérios do Prêmio, projetos estratégicos, eixos e os resultados do TJMA nos últimos anos da premiação.

As alterações no glossário de metas para 2026, a aproximação da gestão estratégica de dados da rotina das unidades e a integração entre os eixos de Tecnologia e Gestão de Dados foram temas do curso “Café Parametrizado: Metas CNJ e Dados Estatísticos de Produtividade”, ministrado pelos servidores Maycon Silva e Camila Tavares, voltado a transformar informação em conhecimento e em ações concretas alinhadas às necessidades das unidades.

Por trás de cada indicador, de cada meta e de cada resultado apresentado nos painéis de gestão, existe o trabalho diário de magistrados e servidores. De um lado, ajudamos as unidades judiciais a compreenderem como os dados que produzem refletem suas atividades e podem orientar decisões. Do outro, buscamos conhecer de perto a realidade dessas unidades, compreender as dificuldades enfrentadas no dia a dia e construir soluções de forma conjunta”, frisou Camila Tavares.
O coordenador de Serviços de TI, Givanildo Marques, apresentou os principais avanços na infraestrutura tecnológica e no suporte técnico para fortalecer o atendimento às comarcas do Estado, destacando a inauguração do novo data center que vai garantir alta disponibilidade, segurança e continuidade dos sistemas sem interrupções perceptíveis para os usuários; além da ampliação de links de internet e do reforço do parque computacional, entre outros investimentos.

Para a técnica judiciária Maria Martha Ferreira Gomes, além do conhecimento técnico, as formações contribuem para reforçar a consciência da equipe sobre o papel de seu trabalho diário no contexto do Judiciário e da sociedade. “A partir de hoje nós sabemos da importância do nosso trabalho, porque muitas vezes o executamos sem ter a consciência do objetivo geral e do quanto aquilo é importante para o nosso tribunal, para o CNJ e para a sociedade, e hoje, a partir das palestras e cursos, nós tivemos a certeza de estar no caminho certo, e com certeza a nossa prestação jurisdicional será de maior alcance ainda pois temos consciência do que alcançamos diante das nossas tarefas bem executadas”, avaliou.

REUNIÃO INTERINSTITUCIONAL
A programação do “Rota da Justiça” em São Luís Gonzaga incluiu reunião entre as magistradas Sônia Amaral e Teresa Mendes, e o juiz titular Diego Duarte de Lemos, com o promotor de Justiça da comarca, Rodrigo Freire de Carvalho, o delegado de polícia local, Antonio Paulino, e o conselheiro da OAB/MA, Rodolpho Cavalcante, para discussão de demandas locais de interesse dos órgãos perante o Poder Judiciário.

Os representantes reconheceram o bom andamento dos serviços, atendimento no fórum, respostas rápidas e cumprimento de prazos no âmbito da comarca, destacando a presença do magistrado e da equipe de servidores e a eficiência dos serviços prestados. “Não vejo nenhum tipo de reclamação que possamos fazer. Nós temos acesso ao juiz a qualquer tempo, assim como aos assessores. Em relação à produtividade, eu já dei entrada em processos dia de domingo e meia hora depois ele estava despachando, então, sinceramente, aqui nesta comarca, que poderia ser usada até como modelo para outras, não vejo nenhuma reclamação”, destacou o advogado Rodolpho Cavalcante.
MASCOTE COMUNITÁRIA
Em meio à rotina de audiências e atendimentos, a comarca de São Luís Gonzaga do Maranhão reserva um acolhimento especial que encanta quem passa pelo Fórum local. Trata-se da Cacau, uma cadelinha de 11 meses que foi resgatada das ruas e adotada oficialmente pelos servidores e magistrado, tornando-se moradora do Fórum.

Com direito a roupinhas, cuidados diários e o afeto coletivo da equipe, a mascote comunitária já virou figura conhecida e querida por advogados, magistrados, servidores e pela própria população que frequenta o local. Faltando apenas o crachá oficial, Cacau simboliza a humanização, o carinho e o espírito de união que marcam o ambiente de trabalho na comarca. “Podemos dizer que ela é uma cadela comunitária dos servidores do fórum, a gente ficou aqui com ela cuidando, já é quase um mascote, uma integrante da equipe da comarca São Luiz Gonzaga, porque os advogados já conhecem, as partes já conhecem, é um animal que era de rua e que hoje pertence à comarca de São Luís Gonzaga”, disse o juiz Diego Lemos



