Quando São Luís andava de bonde: a história do transporte que marcou a cidade

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Do bonde de tração animal ao último elétrico, em 1966, os trilhos moldaram o jeito de a capital se mover e de se encontrar.

Quem passa hoje pela Praça João Lisboa e pelo Largo do Carmo dificilmente imagina que, por ali, já correram bondes. Foi justamente uma obra de requalificação do Centro Histórico que trouxe de volta essa memória: trilhos da antiga linha apareceram sob o piso e lembraram a cidade de um capítulo quase esquecido da sua história.

O começo do sistema

São Luís teve um dos primeiros sistemas de transporte coletivo do Norte e Nordeste. Os registros, porém, divergem quanto ao ano exato do início. Há referências a 1868 para os bondes de tração animal, outras a 1871, quando a Companhia Ferro-Carril teria iniciado o serviço, e outras ainda a 1º de maio de 1872. Em todas, a data marca o início de um sistema que, com o tempo, passou a ser movido a eletricidade.

As linhas e o Centro Histórico

Entre as linhas lembradas pelos historiadores estão São Pantaleão, Gonçalves Dias, Estrada de Ferro, Filipinho e Anil. Todas passavam pelo Centro Histórico, que era o coração da vida urbana. Ali o bonde era também um espaço de convivência: pesquisadores da história social da cidade estudam as relações que se formavam dentro dos veículos. Os chamados bondes “cara dura” ficaram na memória popular, e há relatos de que serviam até de passeio para namorados.

O fim dos trilhos

O sistema perdeu força ao longo das décadas. A gestão passou a um Departamento de Transportes e as linhas foram sendo desativadas, até que, em 1966, na gestão de Epitácio Cafeteira, primeiro prefeito eleito da capital, circulou o último bonde. A retirada, no entanto, não resolveu os problemas de trânsito da cidade, e o debate sobre mobilidade que existia na época segue atual.

O que ficou

Dos bondes restaram a lembrança de quem viveu aquele tempo, a curiosidade dos mais novos e os trilhos encontrados nas obras de 2020. Na ocasião, o superintendente do Iphan no Maranhão afirmou que o maior legado da revitalização seria o resgate da memória afetiva e histórica da cidade. A obra não previa a volta dos bondes como transporte, mas o achado reacendeu o interesse por essa história.