Literatura amplia o debate sobre direitos humanos e diversidade em nova edição do Diálogos Plurais no TJMA

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Evento reuniu escritores(as), artistas, representantes do Judiciário e da sociedade

“Por muito tempo, nós, pessoas LGBTQIAPN+, não nos víamos nos livros, nos filmes ou nas séries. Quando comecei a me reconhecer nessas histórias, percebi que gostava de ler porque, pela primeira vez, também conseguia me enxergar nelas. A literatura nos acolhe e nos mostra que nossas histórias também merecem ser contadas. E hoje a Justiça está nos recebendo neste evento extremamente importante, um marco em nossas vidas!”

Ao compartilhar sua trajetória de identificação com a literatura, a escritora e assistente social Lívia Almeida Dutra emocionou o público durante nova edição do projeto Diálogos Plurais, promovida pelo Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), por meio do Comitê de Diversidade, nessa quinta (16/7), no auditório Desembargador Orville de Almeida e Silva, no Fórum Desembargador Sarney Costa (Calhau).

 

 

Com o tema “Direito e Literatura: atravessamentos literários de autoria LGBTQIAPN+”,  o encontro reuniu escritoras, escritores, artistas, servidores e servidoras da Justiça e o público em geral para discutir como a produção literária amplia vozes historicamente invisibilizadas, estimula o pensamento crítico e contribui para o fortalecimento dos direitos humanos, da cidadania e da cultura do respeito às diferenças.

Durante a abertura do evento, a juíza Elaile Silva Carvalho, coordenadora do Comitê de Diversidade do TJMA, ressaltou que aproximar o Direito da literatura significa ampliar a capacidade de compreender as diferentes experiências humanas e reconhecer que o acesso à Justiça também passa pela escuta, pelo conhecimento e pelo respeito às múltiplas formas de existir.

“A literatura de autoria LGBTQIAPN+ não é apenas expressão artística. É memória, resistência e testemunho. Ao promover esse diálogo, o Judiciário reafirma seu compromisso com a valorização da diversidade, o reconhecimento das diferentes trajetórias de vida e a promoção dos direitos fundamentais”, afirmou.

DIÁLOGOS PLURAIS

A mediação do encontro ficou a cargo do escritor e pesquisador Carlos Wellington Martins, que conduziu o debate entre os convidados e convidadas e promoveu reflexões sobre literatura, direitos humanos, diversidade e representatividade. A programação foi aberta com uma performance poética de sua autoria e encerrada da mesma forma, emocionando o público sob aplausos.

 

 

Durante o debate, Carlos Wellington destacou o significado simbólico da realização do evento no Tribunal de Justiça do Maranhão e a importância da ocupação desses espaços por diferentes vozes e experiências.

“É um momento histórico ocupar uma das maiores casas do Direito no Maranhão com pessoas e cultura LGBTQIAPN+. Tivemos uma representatividade marcada pela diversidade de vivências e identidades, reunindo pessoas trans, mulheres lésbicas, homens gays e outras vozes para discutir a literatura de gênero e sua importância para a sociedade”, destacou.

HOMENAGEM

 

Durante a programação foi realizada uma homenagem ao desembargador Lourival Serejo, presidente da Academia Maranhense de Letras e idealizador do Comitê de Diversidade do TJMA.

Na oportunidade, a magistrada Elaile Carvalho destacou que foi na gestão do desembargador Lourival Serejo à frente da Presidência do TJMA, em 2020, que nasceu o Comitê de Diversidade, iniciativa que consolidou uma política institucional voltada à promoção da igualdade, da inclusão e do respeito à diversidade no âmbito do Poder Judiciário maranhense.

O reconhecimento, no mês de sua aposentadoria,  destacou sua trajetória na magistratura e sua contribuição para a consolidação de políticas voltadas aos direitos humanos e à valorização da diversidade no Judiciário maranhense.

Durante o evento, Lourival Serejo afirmou que acompanha atentamente as publicações e premiações do segmento LGBTQIAPN+. Em sua fala, destacou o crescimento da produção literária no Brasil e ressaltou o papel histórico da literatura e, especialmente, da poesia como instrumentos de resistência, denúncia, liberdade e transformação social.

“A vida de cada um de vocês é matéria-prima de grande importância para ser explorada. Escrevam quando viverem uma tristeza, uma decepção ou uma alegria. Precisamos trazer à tona o talento que cada um tem dentro de si. Tenham dedicação à leitura, leiam e escrevam. Apropriem-se da literatura de gênero”, incentivou.

Como presidente da Academia Maranhense de Letras, Lourival Serejo também convidou o público a conhecer as oficinas gratuitas de escrita criativa promovidas pela instituição, abertas à comunidade. Informações podem ser obtidas no site da Academia Maranhense de Letras

ACERVO DE EQUIDADE

Durante o evento também foram apresentados ao público dois instrumentos de incentivo à leitura e à produção de conhecimento sobre diversidade: o Acervo Equidade, disponível na Biblioteca da Escola Superior da Magistratura do Maranhão (ESMAM), e a Estante Maria Firmina dos Reis, organizada pelo Comitê de Diversidade do TJMA.

As iniciativas reúnem obras voltadas aos direitos humanos, à equidade, à inclusão e às diferentes formas de representação social, ampliando o acesso ao conhecimento e estimulando estudos sobre diversidade, cidadania e justiça social.

A estante presta homenagem à escritora maranhense Maria Firmina dos Reis, pioneira da literatura brasileira e símbolo de resistência e representatividade.

COMPROMISSO INSTITUCIONAL

Instituído pela Resolução GP nº 47/2020, o Comitê de Diversidade do TJMA desenvolve ações permanentes voltadas à promoção da igualdade, ao respeito aos direitos fundamentais e ao enfrentamento de todas as formas de preconceito, discriminação e violência.

Ao promover iniciativas como o Diálogos Plurais, o Tribunal de Justiça do Maranhão reafirma seu compromisso de construir uma Justiça cada vez mais acessível, inclusiva e conectada com a realidade social, reconhecendo que o diálogo, a cultura e o conhecimento também são instrumentos essenciais para fortalecer a cidadania, ampliar a compreensão sobre os direitos humanos e promover uma sociedade mais democrática e plural.

 

Confira o Álbum de Fotos da fotógrafa Josy Lord no Flickr