Fonajus debate novas regras do STF e judicialização da saúde no Maranhão

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Com o intuito de discutir mudanças recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) em decisões na saúde pública e aprimorar a prestação jurisdicional, magistrados/as, assessores/as e integrantes do Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NatJus) participaram, nessa quinta-feira (5/3), de oficina de capacitação promovida pelo Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde (Fonajus).

A atividade – realizada no auditório da Associação dos Magistrados do Maranhão (AMMA), em São Luís – integrou a programação itinerante do Fonajus no estado e contou com a parceria do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministrada pela juíza auxiliar do CNJ Luciana Veiga de Oliveira.

Foto colorida mostra palestrante empé em auditório segurando microfone durante oficina do Fonajus promoida no auditório da AMMA. Na mesa, estão dois homens sentados, um juiz e um servidor.

Com o tema “A saúde onde você está”, a programação segue até esta sexta-feira (6/3) com seminário no TJMA. A abertura aconteceu na quarta-feira (4/3) com atendimentos sociais e de saúde à comunidade no bairro da Liberdade e continuou na quinta com reuniões institucionais.

OFICINA

A oficina, realizada na AMMA, abordou os critérios definidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para decisões judiciais envolvendo o fornecimento de medicamentos e tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS). O debate teve como foco as Súmulas Vinculantes 60 e 61, aprovadas em 2024, e temas de repercussão geral que orientam a atuação do Judiciário em processos relacionados à judicialização da saúde.

A capacitação foi conduzida pela juíza federal Luciana Veiga de Oliveira, auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça. Na oportunidade, foram apresentados parâmetros técnicos e jurídicos baseados no Guia de Cumprimento de Decisões Judiciais em Saúde, publicado pelo CNJ em 2025.

Segundo a magistrada, o objetivo é padronizar a aplicação das novas regras e fortalecer a segurança jurídica nas decisões. Ela destacou que as súmulas vinculantes estabelecem critérios obrigatórios não apenas para o Poder Judiciário, mas também para a Administração Pública.

 “A iniciativa busca levar aos magistrados, assessores e equipes do NatJus os critérios que hoje são exigidos e vinculantes, permitindo que as decisões estejam alinhadas às diretrizes definidas pelo Supremo. A proposta é aprimorar a prestação jurisdicional, reduzir demandas desnecessárias e fortalecer decisões baseadas em evidências técnicas e precedentes judiciais”, pontuou.

A programação da oficina discutiu a saúde pública, com análise de temas de repercussão geral que impactam diretamente a judicialização da saúde no país.

APRIMORAMENTO 

O secretário do Comitê Estadual de Saúde do Maranhão, Luan Azoubel, ressaltou a importância da capacitação para o aprimoramento das decisões judiciais em face do fenômeno da judicialização.

“A judicialização da saúde exige do Judiciário respostas mais rápidas mas, acima de tudo, seguras e responsáveis. É exatamente esse o papel das recentes Súmulas Vinculantes 60 e 61, que trazem orientações do STF para a concessão de medicamentos e protegem o direito fundamental à vida com a urgência necessária”, disse o assessor de desembargador.

A assessora de desembargador Giuliana Silva também avaliou de forma positiva a oficina promovida durante o Fonajus Itinerante. Segundo ela, as capacitações voltadas à judicialização da saúde contribuem com o trabalho desenvolvido na Justiça, especialmente na análise de processos relacionados à saúde pública.

“Essas oficinas sempre trazem contribuições importantes que levamos para o nosso trabalho. Os temas de repercussão geral e as novas súmulas já fazem parte da nossa rotina de estudo e aplicação no gabinete, e esse tipo de capacitação ajuda a aprimorar ainda mais o entendimento técnico do Judiciário”, destacou.

DIÁLOGO COM O COMITÊ ESTADUAL DE SAÚDE

No período da tarde, o evento promoveu reunião coordenada pela conselheira do CNJ Daiane Nogueira, com a participação do presidente do Comitê Estadual de Saúde do Maranhão, desembargador Jamil Gedeon, do vice-presidente eleito do TJMA e integrante da 3ª Câmara de Direito Público, desembargador Gervásio dos Santos, além de integrantes do Comitê Estadual de Saúde, representando órgãos federais, estaduais e municipais do sistema de saúde, e órgãos do sistema de Justiça.

A imagem mostra um auditório durante uma sessão do FONAJUS Itinerante (Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde). Vê-se um grupo de profissionais reunidos em mesas dispostas em formato de plenário, com computadores, acompanhando uma apresentação em um grande telão ao fundo. O ambiente transmite uma atmosfera de conferência ou reunião de trabalho formal.

Ao abrir o evento, o desembargador Jamil Gedeon destacou os objetivos da reunião com a presença da conselheira Daiane Nogueira, responsável pela gestão do tema da saúde no CNJ, para trocar experiências, ouvir o Comitê Estadual e buscar sugestões.

A conselheira Daiane Nogueira apresentou o panorama da judicialização da saúde no Maranhão, destacando a importância da descentralização das políticas judiciárias de saúde, enfatizando que a iniciativa da itinerância objetiva reduzir o distanciamento entre as decisões do CNJ e a prática dos tribunais estaduais, por meio dos Comitês Estaduais, permitam que a aplicação de normas e recomendações do CNJ cheguem efetivamente à ponta do sistema de Justiça.

A conselheira ressaltou que, embora existam desafios comuns em todo o Brasil, a judicialização da saúde apresenta características únicas em cada estado que só podem ser compreendidas através do diálogo direto com magistrados e gestores locais.

“É um momento de diálogo, diálogo coletivo e daqui a gente sai com soluções e propostas, soluções propositivas para fortalecer o atendimento da saúde aqui no estado do Maranhão”, afirmou Daiane Nogueira, reforçando o papel de liderança do desembargador Jamil Gedeon no estado.

JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE DO MARANHÃO

A conselheira destacou dados de mapeamento da judicialização da saúde no Estado, que registra cerca de 10 mil processos por ano, ocupando entre a 10ª e a 12ª posição entre os estados, tendo registrado em 2025 uma redução de 14% na judicialização da saúde pública, principalmente relacionados a filas para cirurgias e consultas; e um aumento de 30% na judicialização de questões de saúde suplementar.

“Esse aumento é algo que precisamos analisar com mais critério, com mais cuidado, os motivos desse aumento de judicialização, mas ao mesmo tempo o Tribunal de Justiça do Maranhão também tem atuado a partir da criação de uma vara especializada em saúde suplementar, a ampliação do Natjus para emitir notas técnicas, dando apoio técnico aos magistrados que estão nessas varas especializadas e em todo o estado quando decidem essas demandas de saúde privada dos planos de saúde.

Acesso o álbum completo do fotógrafo Ribamar Pinheiro

FONAJUS ITINERANTE

O Fonajus Itinerante é uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que busca debater fatores relacionados à Política Judiciária de Resolução Adequada das Demandas de Assistência à Saúde, aprovada pela Resolução CNJ nº 530/2023, que define diretrizes para o planejamento das ações no âmbito do Fonajus e do seu respectivo Plano Nacional.

A iniciativa percorre os estados promovendo capacitação e diálogo entre magistratura, gestores públicos e especialistas.